domingo, 30 de setembro de 2012

AS PLACAS DO IDEB NA PORTA DAS ESCOLAS

Goiânia - Ano II - 116

Olá químicos e agregados.

Li hoje um artigo do Gustavo Iochpe, articulista da revista Veja, que versa, entre outras coisas, sobre uma proposta que ele mesmo fez a respeito de se colocar na frente de cada escola, uma placa com a nota do IDEB obtida por ela. O artigo é de alguns meses atrás. Os argumentos do moço estão aqui, para quem se interessar. 

O que eu acho disso? Você deve estar se perguntando. É claro e notoriamente evidente que sou contra. Mas o pior, é que alguns deputados federais compraram essa ideia e o projeto de lei que descreve essa aberração já está sendo/foi discutido na comissão de educação da câmara.

Primeiro, penso que seja importante você saber o que é o IDEB. Segundo o site do MEC:

"O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do Inep e em taxas de aprovação. Assim, para que o Ideb de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita o ano e frequente a sala de aula. Para que pais e responsáveis acompanhem o desempenho da escola de seus filhos, basta verificar o Ideb da instituição, que é apresentado numa escala de zero a dez. Da mesma forma, gestores acompanham o trabalho das secretarias municipais e estaduais pela melhoria da educação. O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, tenha nota 6 em 2022 – correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos."

Copiei diretamente do site do MEC.

Vamos aos meus argumentos para ser contrário a isso:

1) Vejam, um dos critérios é uma nota obtida pelo estudante em uma prova escrita elaborada pelo INEP que é geral e igual para todo o país. A prova não considera as realidades locais nem as idiossincrasias dos grupos de cada uma dessas escolas;

2) Considera também as taxas de reprovação. Ora, sabemos que vários são os fatores que levam a reprovação dos alunos. Mas em nosso país e em se tratando de escolas públicas, principalmente as periféricas, os alunos vão a escola para se alimentar. Uma parte considerável deles têm uma série de problemas na família, que vão desde o abandono do pai ou da mãe (ou de ambos) até dificuldades financeiras e de deslocamento para a escola. A chance de uma escola nessas condições ter o IDEB baixo é maior do que em outras escolas, pois é evidente que todos esses fatores atrapalham e muito a aprendizagem das crianças.

3) Uma placa na porta da escola com essa nota pode levar às seguintes situações:
3.1 - As crianças podem se sentir constrangidas ao adentrarem em sua escola com uma placa pendurada dizendo que sua escola tem nota 2 em uma escola de 0 a 10. Serão sempre comparadas às crianças de outras escolas. Diria, de forma modernosa que isso poderia ser até "bullying" (Tá certo, forcei um pouco, mas é que essas coisas me deixam indignado).
3.2 - Os pais podem querer tirar os seus filhos de lá, para procurar outra escola com maior nota do IDEB, desconsiderando que a nota obtida não é culpa da escola nem dos professores, mas de todo um sistema social que exclui parte da sociedade e tenta culpar o professor pelas suas mazelas. Isso gera uma concorrência desnecessária, já que escolas não devem competir pelo aluno. Ainda pode-se causar uma evasão da escola considerando-se o fato dos pais acharem que a escola é ruim.
3.3 - Os pais não precisam achar que a escola é ruim. Tanto a rede pública quanto o sistema particular de ensino do Brasil É MESMO fundamentalmente ruim, como mostram as próprias avaliações governamentais.
3.3 - Melhorar a nota do IDEB não é uma função primordial da escola ou dos professores, como querem fazer transparecer colocando as danadas das placas. O governo é quem tem que propiciar condições estruturais e sociais para que essa escola cumpra verdadeiramente seu papel. 

COLOCAR UMA PLACA NA PORTA DA ESCOLA ME CHEIRA A TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADES. "VIREM-SE SENHORES PAIS. PROCUREM ALGO MELHOR."

Ou seja, ao invés de investir em escolas confortáveis, reduzir o número de alunos por sala, PAGAR bem o professor e dar a este condições mínimas de trabalho, o que nossa "equipe de educadores" faz? Pendura uma placa na porta da escola para falar para os pais o quanto eles próprios estão fracassando em suas obrigações como governantes e com os impostos arrecadados. Lindo isso.

Finalmente, não sou radicalmente contra o IDEB desde que ele seja um mecanismo governamental de avaliação em quais escolas ou áreas educacionais há problemas estruturais e como melhorá-las. Mas nunca como mecanismo de classificação.

Placas na frente da escola. Mecanismo de classificação. Transferência de responsabilidade.

Menos placas. Mais ação. 

É isso.




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

SOBRE A PROPOSTA DE FUSÃO DE DISCIPLINAS DO MEC

Goiânia - Ano II - 115

Olá Químicos e Agregados.

Recentemente, li uma reportagem sobre a fusão de disciplinas no ensino médio. A grosso modo, a proposta considera a fusão das disciplinas de Química, Física e Biologia em uma apenas, chamada de Ciências da Natureza e suas Tecnologias.

Os argumentos são o de sempre: é necessário maior interdisciplinaridade e tal fator facilita o entendimento da ciência como um todo pelos alunos e isso pode melhorar as notas no IDEB e no ENEM.

Não sou contra a interdisciplinaridade, mas é lógico e evidente que isso é mais uma proposta de reforma educacional que NÃO considera o que de fato é importante: professores da escola e a própria escola.

Desde há muitos milhares de aéons (fui longe agora), ao invés de promover mudanças que realmente impactam na melhor formação de nossos alunos, nossos governantes pensam no que? Em reformar o currículo.

Meu pai fez o primário. Eu fiz o 1o. grau e meu filho faz os anos iniciais. Sabe o que mudou? Nada.

Minha mãe cursou o colegial, eu e meu irmão cursamos o 2o. grau e meu filho cursará o ensino médio. Sabe o que mudou? Nada.

Agora vão nos prejudicar da seguinte maneira. Diminui-se a carga horária de Física, Química e Biologia e colocam uma carga menor e interdisciplinar de Ciências da Natureza. Vai dar errado. Por quê?

1) Até hoje, nem nós, formadores de professores, nem nossos alunos temos a exata ideia do que seja essa tal interdisciplinaridade. O máximo que fazemos é a multidisciplinaridade, que na verdade, é um arremedo da primeira;

2) Teríamos que mudar nossos cursos de licenciatura para essa nova visão. Se nós que somos da área de educação já temos dificuldade nisso (há zilhares de artigos que não me deixam mentir), imagina nossos colegas formados nas áreas de pesquisa básica. Não estou dizendo que são incompetentes. Estou dizendo da formação que tiveram e não vão mudar da noite para o dia;

3) Haveria a necessidade de formação continuada para milhares de professores para essa nova visão. Convenhamos, já é difícil fazer formação continuada dentro do ensino de química, imagina em ensino de ciências da natureza.

Finalmente, não é dificil saber o que há por trás dessa proposta. NÃO temos professores suficientes em nenhuma dessas disciplinas. Faltam, e muito, professores de Biologia, Química e Física, em torno de 200 mil, somando-se as três áreas. 

Assim, o que é mais fácil para nossos governantes no momento? 
Investir na formação de professores, na melhoria de seus salários e condições de trabalho? NÃO.
Tornar a profissão atrativa para os melhores alunos do ensino médio com um plano de carreira e um salário atrativo? NÃO.
Melhorar a estrutura das escolas? NÃO.

O mais fácil é diminuir o número de disciplinas e aproveitar os professores existentes e os poucos que ainda se formam. Isso, para mim, é uma manobra para contornar a deficiência na formação de professores que nós não vamos resolver em pelo menos 15 anos se não tornarmos a profissão atrativa. Eles não querem melhorar o ensino médio, querem dar um jeitinho na absurda falta de professores dessas áreas no Brasil.

É isso. Abraços a todos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

SOBRE O MITO DA DEMOCRACIA RACIAL

Goiânia - Ano II - 114

Olá Químicos e Agregados.

Continuando uma discussão sobre as cotas na universidade, O Blog do IQ UFG publica um texto da Profa. Dra. Anna Maria Canavarro Benite, construído exclusivamente para esse blog.


SOBRE O MITO DA DEMOCRACIA RACIAL
Profa. Dra. Anna Maria Canavarro Benite*
Hoje, gostaria de convidá-los a pensar sobre a origem da cultura brasileira. Afinal quem somos nós?
Fato muito interessante acontece comigo todas as vezes que digo ou assino meu sobrenome. Benite de onde??? Qual sua descendência? Ora sou daqui mesmo, afro-brasileira e estudante de escola pública. Meu nome e sobrenome nasceram e se criaram nos terreiros de candomblé, nas rodas de capoeira do Rio de Janeiro, isto é, dentro das casas de meus avós, tios e primos, aos sons dos atabaques e berimbaus... E é desse lugar cultural que me posiciono, pois só se fala com maior argumento do lugar que se ocupa.
Por sua vez, a cultura brasileira, a minha, a sua cultura, bem como a de toda a América Latina é formada por uma estrutura triangular característica do período de colonização resultado da mescla de tradições ameríndias, européias e africanas. Porém, histórica e erroneamente o negro é visto como inferior e caracterizado de maneira negativa. A comunidade afro-descendente, ainda hoje, sofre com o preconceito, o descaso e a falta de oportunidades, fenômeno social esse que teve origem no contexto vivido desde a época da colonização.
            No Brasil, ainda persiste um imaginário étnico-racial que valoriza as raízes européias de sua cultura fazendo presente à desigualdade social e racial, bem como a desvalorização da religiosidade, estética, corporeidade e musicalidade africana.
A identidade cultural brasileira começa a ser construída após abolição (1889-1930) com a adoção da política de imigração adotada pelo Estado, com o intuito de apagar os sinais da miscigenação. Tais interesses foram disseminados por representantes e intelectuais da época os quais propagavam que com o decorrer do tempo a população brasileira iria embranquecer por meio do apagamento de uma memória social.
Este apagamento ocorreu apoiado em políticas de Estado adotadas na formação da chamada “identidade cultural heterogênea” que encontra no sincretismo e no multiculturalismo elementos operantes do mito da democracia racial. Por sua vez, a primeira geração de intelectuais que discute no Brasil as questões étnico-raciais tem em Gilberto Freyre seu maior expoente. Este inundou o imaginário dos brasileiros com sua obra descrevendo relações horizontais entre os senhores e escravos, uma sociedade sem conflitos, harmoniosa.
Mas o que é um mito?  O mito é expressão de negação e justificação da realidade negada. O mito é uma máscara capaz de subverter a realidade e adequá-la às necessidades “temporárias” de determinados grupos: a distorção colonial como contrapartida da inclusão de mestiços nos núcleos das grandes famílias.
Entretanto, as memórias africanas transformadas em solo brasileiro, insistem, persistem e resistem: o congado, a capoeira, o candomblé, o jongo, etc... Infelizmente a educação não tem sido local deste movimento.
            Diante desse cenário, está a escola concebida como um microcosmo da sociedade que tem o poder de interferir na formação do aluno e no seu posicionamento frente ao mundo. Apóio-me em Paulo Freire para afirmar que o homem é um ser histórico, constituído socialmente, que aprende por meio da interação com o seu meio: indivíduos pertencentes ao mesmo local e tempo. E, deste modo, a instituição escolar se constitui importante local de superação do mito.
            Importa que as ciências ensinadas em nossos bancos escolares se afastem da visão deformada de ciência branca, eurocentrica e masculina. Para isso, urge que tenhamos diferentes representatividades nos espaços de produção científica, espaços de desmistificação ou não.
            Gostaria de terminar parafraseando um querido amigo, professor Guimes Rodrigues, quando afirma que “num momento em que se busca, através da ciência genética, sacramentar a não existência de raças, a nós, negros, isso pouco importa, porque a raça negra é, para além da ciência, um conceito que fortalece a nossa identidade e imprime orgulho para enfrentar o racismo brasileiro”.
Não há como negar nossa construção histórica, esses são nossos limites sociais. Por outro lado, tenho uma boa notícia: não temos experiência histórica no Brasil com inclusão nas diversas instâncias sociais.

*Coordenadora do Laboratório de Pesquisas em Educação Química e Inclusão-LPEQI

Como sempre, amplo espaço ao contraditório a quem quiser comentar. Sem ofensas ou xingamentos. Abraços a todos.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

AS COTAS PARA NEGROS NAS FEDERAIS

Goiânia - Ano II - 113

Olá Químicos e Agregados.

Esse fim de semana eu vi nos jornais o protesto de estudantes de escolas particulares contra a cota nas federais para negros e alunos de escolas públicas.

Vi todas as fotos da passeata. E vi também a quantidade de negros nessa passeata. Nas fotos que vi, nenhum.

E eu. Sou contra ou a favor? Vamos a um pequeno histórico de minha vida:

1) Quando eu cursei o primário, de 1a. a 4a. série, em uma escola pública na gloriosa cidade de Centralina - MG, éramos em média, 40 crianças na sala de aula. E havia o Nilton. Negro. Ou seja, 2,5% da sala.

2) Da 5a. série até a 7a. série, na mesma escola e na mesma cidade, vejam só, não havia mais o Nilton. Teve que abandonar para ajudar os pais na fazenda. Não havia mais o Nilton. Negro. 0% da sala.

3) Na 8a. série, já em Uberlândia - MG, cidade de mais de 600 mil habitantes, tive a sorte de estudar em uma das melhores escolas públicas da cidade. Minha sala tinha 43 alunos. Não havia Negros. 0% da sala.

4) Aí fui para o ensino médio. Já estudando à noite, pois tive que trabalhar. Do 1o. ao 3o. ano do Ensino Médio, éramos em média, 40 alunos por sala. 120 nos três anos. Total de negros: 3.De novo, 2,5% da sala. Impressionante é eu me lembrar do nome do Nilton e não me lembrar dos outros três do ensino médio. Minha memória recente tá horrível.

5) Depois, universidade. Entre 1992 e 1998 na Universidade Federal de Uberlândia, cursando Química, eu conheci uma quantidade "expressiva" de Negros, se comparados ao meu ensino básico: 5 (cinco), em um universo de quase 300 alunos, entre eles o Hélder, hoje, professor do curso de Química da UFU.

6) No mestrado e no doutorado na UFSCar, em um universo de quase 400 alunos, conheci 2 negros. Não, na verdade não fomos apresentados pois eram de outro laboratório. Eu os via na Química.

7) Já como professor aqui na UFG, o que vejo? Somos 40 professores. 4 negros. Somos 400 alunos, entre graduação e pós graduação e temos no máximo, 15 negros.

E por que eu escrevi isso tudo? Ora, segundo o banco de dados criado pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República) juntamente com a Faculdade Zumbi dos Palmares, 51% da população brasileira é constituída por negros. Uma diferença não muito significativa com os dados do IBGE (Cerca de 46%).

Ou seja, dá pra ver que a minha história não é muito diferente da maioria de nós, brancos, no país. Negros NÃO estão incluídos em nenhuma etapa do ensino formal no Brasil. Compare então as porcentagens da população com as porcentagens de inclusão na educação formal. Chega  a ser covardia.

Agora, pergunte-me de novo se sou ou não a favor das cotas? É claro que sou a favor.

Eu não sofri racismo na sociedade e na escola, em todos os níveis e em todos os momentos. Eu não precisei ouvir piadas ridículas e racistas desde o primário. Eu não fui preterido por professores brancos. Eu não fui preterido em times na educação física. Eu tive uma grande quantidade de oportunidades, inclusive em entrevistas de emprego. 

Se em algum momento você acha que isso tudo não influencia a aprendizagem de uma criança. Você realmente tem que rever seus valores.

Mas não sou especialista. Até sexta feira, uma especialista na área escreverá nesse blog.

Sempre abrindo espaço para o contraditório, lembrando a todos para não xingar ou ofender ninguém.

Abraços a todos. Ainda volto para falar das cotas para estudantes de escolas públicas.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

741 docentes...

Goiânia - Ano II - 112

Olá Químicos a Agregados.

741 docentes. Esse é o número de professores presentes na última assembleia de nossa categoria, no último dia 14 de Agosto de 2012. 

Foi um marco para o movimento docente. Muita gente falando que foi o recorde de presença de professores em uma assembleia da categoria. Pelo menos nos meus 10 anos de UFG.

E com esse tanto de gente presente, eu votei contra a continuação da greve. Tento esclarecer os meus motivos, para quem sabe, gerarmos uma discussão, ou vocês me mostrarem que estou errado, ou certo, é claro. 

Já adianto. Pensando melhor, nunca há certo ou errado em situações como essa...mas vamos lá.

1) Não me sinto mais confortável com DOIS sindicatos representando a nossa categoria. Isso nos divide e tal aspecto ficou muito claro nas assembleias e nos institutos e faculdades. Muitos dizem que é culpa do PROIFES que é um braço do governo e a intenção de sua fundação era essa mesmo: partir o movimento. Mas ninguém reclamou dos acordos anteriores que foram assinados pelo PROIFES entre 2007 e 2010, no qual a ANDES só veio a assinar depois.

2) De qualquer forma, a conduta do PROIFES dessa vez deixou mesmo a desejar. Penso que era o momento da união entre os dois sindicatos. Mas o PROIFES assinou um acordo dizendo que seus 15 pontos foram contemplados. Eu nunca vi e nem conhecia esses 15 pontos. E olha que tento me informar de tudo. 

3) As informações do ANDES também não são claras. Metade das informações são truncadas por ataques ao governo e a outra parte em ataques ao PROIFES. Esse lance de carreira única para o Magistério Superior e para o Ensino Básico me soa como desconhecimento das duas realidades.

4) Assim, não me sinto representado por nenhum dos dois. Ponto. Saliento que não desconsidero a tentativa do Comando Local em unir as duas correntes. Sem sucesso, é claro.

5) Greve, como movimento paredista, é parar tudo mesmo. Graduação, Pós Graduação, Pesquisa, Extensão, e tudo mais. Não me engano. Não se enganem. Não nos enganemos. Não paramos totalmente. Arrisco dizer que 85% da UFG (e me incluo) não parou todas as suas atividades. Varios projetos da UFG continuam funcionando. Mais da metade dos professores terminaram o semestre anterior. Por coerência, não posso votar para me manter em um movimento de greve, se não estou totalmente parado. Como sempre, só a graduação acaba se ferrando.

6) Fiquei muito triste, ao ver, na votação para continuidade ou não da greve, os votantes que aprovaram a continuidade da greve (379) comemorarem o resultado vitorioso (contra 267 que votaram pela não continuidade da greve) como se tivesse sido um gol. Vi professores pulando e socando o ar! Gritando palavras de ordem! Comemorando frente aos "derrotados" como se esses fossem pobres alienados e contra o "movimento". Ora, a democracia pressupõe o voto contrário. "Comemorações" como essa racham ainda mais o movimento. Não posso crer que haviam 267 professores manipulados pela ADUFG como alguns professores querem fazer parecer.

7) Não acho que a proposta final seja de todo ruim. Há pontos bons, que os dois sindicatos concordam. Por que não batalharam esses pontos em comum? Porque de forma partidária, os dois não se bicam, pois não há mais sindicato, há partidos políticos.

8) 379 + 267 + 1 abstenção = 646. Para 741 ainda faltam 95. Por que não votaram? Onde estavam? 

9) Perdi na votação. Democraticamente acato o que foi decidido e me mantenho em greve. Por respeitar muito dos meus companheiros que estão de fato comprometidos com o movimento. 

10) Concluo. Estou perdido em meio às informações dos dois lados. E mais, em ambos há erros no cálculo e tentativa de distorções. Isso se vê também na assembleia. 

11) Antes de me crucificarem, não pensem que não sei dos problemas da educação, do descomprometimento do governo etc e tal. Não sou alienado e quem me conhece sabe que sou comprometido. A questão de fundo aqui é outra e claro, não se encerra nesse post.

11) Aguardo o dia 28, e até lá, tento saber se de fato essa proposta do governo é boa ou ruim, pois, pelas informações dos sindicatos, não dá para saber. Ou sou muito burro mesmo. Pensando que muita gente que respeito é a favor da continuidade da greve, definitivamente, sou burro mesmo.

Sem ofensas, xingamentos e tudo mais, podem ficar a vontade para comentar.

Abraços a todos.





quarta-feira, 11 de julho de 2012

SOBRE CIDADÃOS E CIDADANIA NAS FÉRIAS

Goiânia - Ano II - 111

Olá Químicos e Agregados.

Hoje fui ao Mutirama com meu filho Rodrigo. Bom, para quem não sabe, o Mutirama é um parque de diversões da Prefeitura Municipal de Goiânia. Gostei do parque e tudo mais e é uma boa opção de lazer para as famílias.

Mas não vou falar disso. Fiquei chocado com uma série assustadora de atitudes de várias pessoas presentes no parque, especificamente nas filas que levam a cada um dos brinquedos e perto das lanchonetes.

Vamos ao primeiro caso, para que todos entendam minha indignação:

1) Estava eu e Rodrigo em uma enorme fila para um brinquedo concorrido em um sol escaldante. À minha frente, uma mulher, de 35 anos, acho eu. Quando faltavam umas 10 pessoas para que nós chegássemos ao brinquedo, eis que aparece o marido dessa mulher, com mais 4 crianças. Eles chegaram e ficaram, claro, na nossa (minha e do Rodrigo) frente. Eis que de forma, como sempre, chata, começo um diálogo:
- Pessoal, com licença. Eu e meu filho estamos na frente de vocês. 
A mulher vira para mim e diz:
- Não. É meu marido e meus filhos, eles estavam em outro brinquedo e eu estava nessa fila, guardando o lugar.
Eis que eu disse:
- Não me entenda mal. Eu estou há 20 minutos na fila, para brincar NESSE brinquedo, enquanto os seus filhos estavam em outro brinquedo. Veja bem, agora, eles se divertiram no outro brinquedo enquanto eu estava na fila com o meu filho e de repente, eles chegam para brincar em um brinquedo sem esperar um segundo sequer na fila. É justo?
Ela me respondeu, séria:
- Claro que é. Eu também esperei os mesmos 20 minutos que o senhor esperou.
Não me calei:
- Mas é onde quero chegar. Isso não é cidadania. Eles têm que saber que estão levando vantagem indevida sobre os demais cidadãos aqui presentes, por mais boa vontade que os senhores tenham como pais.
Ela tentou terminar:
- Não acho que fiz nada de errado. Respeitei a fila.
Tentei terminar:
- Ok. A senhora respeitou mas os seus filhos, não.
O marido puxou ela pelo braço e ficou entre nós, de costas para mim. 
Claro. Ficou de costas para a cidadania.

Vamos ao caso 2:

2) Fomos tomar um lanche. Contei pelo menos 4 ou 5 latas de lixo, próximas, fora as latas de lixo das próprias lanchonetes. E havia também uma quantidade enorme de lixo espalhado no chão, nos bancos e perto das latas de lixo e elas não estavam, logicamente, nem pela metade. Eis que ouvi uma conversa entre mãe e filha:
- Espera, mãe, tô terminando a pipoca.
- Anda, filha, vamos ao brinquedo, se não a fila fica grande.
- Peraí, vou jogar o saquinho no lixo.
- Não filha, joga em qualquer lugar, tem gente pra limpar isso depois, anda logo.

Bom. Penso que dispensa maiores comentários.

Juntando os dois casos. Essas pessoas acham, acreditam, tem certeza que estão certas. Não vêem erros ou falhas em suas ações. Isso acontece porque cresceram e vivem em um ambiente no qual pequenas vantagens sobre as demais pessoas parecem uma coisa normal a ser ensinada, para que de alguma forma: "meu filho não fique para trás em relação aos demais". Não entendem o conceito básico de cidadania em que cidadãos de fato são aqueles que respeitam outros cidadãos. Essas pequenas infrações (e tenham certeza, vi várias e várias durante esse dia) não são consideradas, digamos, erradas. Algo como: "enquanto você deu uma volta na roda gigante, eu dei duas e dei uma descida no tobogã, eheheheh". E dormem tranquilas.

Não podemos dormir tranquilos com isso. O respeito deve vir da família e se ela não consegue fazer isso ou confunde o respeito com vantagem, estamos fadados ao fracasso como sociedade.

Exigir que esse tipo de cidadania seja ensinado em sala de aula é importante, mas retira a responsabilidade da cidadania, da formação do cidadão do cerne da sociedade: a família.

E é um ciclo vicioso, pois sabemos que vários professores ensinam exatamente a forma mais exata de burlar e levar vantagem na sociedade.

Como acabar com isso? Educação de qualidade. Valorização do professor. Ué! Mas eu não acabei de dizer que o cerne é a família? Que é responsabilidade demais da escola?

Ora gente, e em que lugar esses filhos dessas mães dos casos acima podem vir a aprender alguma coisa sobre cidadania? Com a mãe? Com o pai?

Com o professor, sim. Felizmente (ou infelizmente?). Por isso é importante que professores também sejam formados cidadãos, de modo a formarem cidadãos, em nosso caso, utilizando-se do saber de conteúdo específico de nossa área: a química.

Sem isso, estamos mesmo fadados ao fracasso como sociedade. 

Termino com algumas frases de família, presentes na série Guerra dos Tronos, bem popular nos dias de hoje:

Casa Stark = "O inverno está chegando".
Casa Targaryen = "Fogo e Sangue".
Casa Lannister = "Ouça-me rugir".

Casa SOARES = "Nós não cortamos fila".

É isso.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

SEXTA FEIRA DA CANÇÃO XV

Goiânia - Ano II - 110


Olá Químicos e Agregados.


Agora, que o governo se recusa a conversar conosco, como em um caso de amor ferido, de coração de vidro, o Sexta Feira da Canção volta com uma homenagem a esse amor bandido.


Música: Heart of Glass - Blondie.


É velhinha, como sempre, mas é boa...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

UFG E A GREVE: DA CIVILIDADE ATÉ A BADERNA

Goiânia - Ano II - 109

Olá Químicos e Agregados.

O post anterior, sobre a greve na UFG gerou uma boa discussão entre os leitores do blog. Importante lembrar que NÃO censuro nenhum tipo de comentário e deixo a aba de comentários com o item Anônimo aberto, para facilitar a discussão. Peço sempre, que para mantê-lo aberto, as pessoas se identifiquem e que sejam educadas e sensatas para que não façam ofensas ou críticas gratuitas aos outros leitores e ao próprio blog. Caso ainda assim não queiram se identificar, favor não fazer críticas gratuitas. Não quero ter que moderar comentários. A ideia do blog é ser aberta a qualquer crítica e discussão.

Muitos leitores, alunos, professores que andei conversando de ontem para hoje estão muito divididos em relação aos acontecimentos da última assembleia. Houve violência? A greve é legítima? Sim. Eu entendo que sim. De duas maneiras.

A primeira foi a violência do sindicato para com os professores. Éramos mais de 400 professores filiados, com o tal do papelzinho verde, aptos a votar. A diretora do sindicato não precisava ficar insistindo no mantra do "vamos sentar e dar lugar para filiados" e tudo mais. Todos, há mais de dois anos em negociação e tensos pelo descumprimento do acordo por parte do governo federal, mais ainda, pela retirada da nossa inslubridade do vencimento básico, estávamos ansiosos para que a assembleia começasse logo. A demora acirrou ainda mais os ânimos. Deu no que deu e depois a diretoria abandonou a assembleia com mais de 400 professores, como se fôssemos, sei lá, gado.

A segunda foi a violência física de tomada de microfones e invasão do espaço da mesa diretora. Repudio veementemente tal atitude, assim como repudio a violência anterior. Uma coisa não justifica outra.

E por que afinal de contas, chegou-se a esse ponto? Porque temos duas representações nacionais, ANDES e PROIFES que ao invés de juntarem suas forças, digladiam-se a quase uma década pelo direito de representar os docentes. Parte do empurra-empurra ontem tem origem nessa rusga. Recomendo que os leitores se interem sobre isso, porque a história é longa. Há claro, aspectos políticos e econômicos envolvidos nisso, não somos tolinhos.

Por outro lado, o governo federal vem incentivando essa luta para nos enfraquecer. Por causa daquela cena, somos agora vistos como baderneiros e não civilizados. Não. Não somos baderneiros e nem sem civilização, mas sim, estamos nos tornando ansiosos,  no limite, sem razão e brigando uns com os outros. Chegando na assembleia foi possível sentir o clima dos presentes. A ansiedade beirava o insuportável (exagerei?). Queríamos decidir logo o rumo da nossa luta, pois o tempo está passando e não fazemos nada.

O salário defasado há 4 anos, aumento abaixo da inflação, emagrecido com a retirada da insalubridade e a insistência do governo em protelar a negociação cada vez mais. O governo propaga aos sete ventos o quanto somos importantes para o futuro da nação, mas somos a categoria do executivo com o MENOR salário.

Deu no que deu. Entendam. A violência e a baderna não se justificam, mas os ditos civilizados que nos governam não conseguiram ou não querem enxergar que os docentes querem um rumo, pois tudo que está acontecendo e parece ser proposital por parte desses civilizados, está nos enfraquecendo e nos deixando sem esse rumo.

Por isso, acho a greve legítima. Um número muito grande de professores, finalmente com um rumo só, um caminho, pensando de forma unida. Agora, é arrumar o resto, aparar as arestas. Mostrar civilidade e procurarmos uns aos outros para termos esse rumo de forma conjunta.

Os alunos nos mostraram isso no dia da assembleia, com um forte apoio. Na saída da assembleia senti-me acolhido por eles.

Chega de vídeos. Há vários deles. Cada um vai mostrar uma coisa. "Foi culpa de um! Foi culpa do outro!" Não é mais hora disso. É hora de um caminho só.

É isso.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

QUANTO A GREVE NA UFG

Goiânia - Ano II - 108


Olá Químicos e Agregados.

Hoje tive a honra de participar de uma ASSEMBLEIA DE PROFESSORES que deflagraram a greve na UFG a partir do dia 11 de Junho de 2012.

Estavam presentes aproximadamente 450 professores.

Uma confusão enorme se fez antes da assembleia pela insistência da diretora da ADUFG em dizer que os filiados a ADUFG deveriam ficar sentados e professor que não fosse filiado deveria ficar em pé. Ficou insistindo nesse mantra por 5 minutos, sob vaia e protestos dos professores para que a assembleia tivesse início de imediato.

Alguns professores perderam a paciência com tal atitude e tudo descambou para a violência, com gente tentando tirar o microfone da diretora e gente tentando devolver o maldito microfone para a diretora. Entre empurra-empurra e deixa disso, tudo parecia ter voltado ao normal.

Engano. A diretora do ADUFG se retirou e disse que a Assembleia estava CANCELADA.

Os professores presentes não se furtaram e fizeram eles (nós) mesmos a dita assembleia que deliberou pela greve a partir do dia 11 de Junho de 2012.

A ADUFG soltou uma nota dizendo que não reconhece e não reconhecerá a assembleia realizada.

Meus caros. Ela NÃO precisa reconhecer ou deixar de reconhecer nada. Um sindicato é feito/construído pelos seus membros. E nesse caso, a ADUFG não é sua diretoria, ela é tão somente os professores, que compareceram em peso (450 professores) a assembleia e deliberaram pela greve, COM ou SEM os diretores do sindicato. 

Essa foi uma assembleia dos PROFESSORES da UFG e eu, considero-a extremamente legítima, pois sou professor, e estava lá, presente, votando, com mais de 400 colegas.

Portanto, estou em greve, por tempo indeterminado.

É isso.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

ESPECTROMETRIA DE MASSAS A 2 DÓLARES

Goiânia - Ano II - 107

Olá químicos e agregados.

Dando umas voltas em algumas revistas da Royal Society of Chemistry, deparei-me com um artigo muito interessante. A ideia é do grupo do professor Marcus Eberlin, da UNICAMP e foi capa da revista THE ANALIST, de junho.

Olha só o que os caras fizeram. Pelo que li em meu inglês macarrônico e ruim, eles desenvolveram um mecanismo de alta tecnologia utilizando recursos muito simples: uma fonte de ionização e dessorção de amostras para análise por espectrometria de massas.

Em alguns sites de ciência é possível baixar uma imagem do aparato, como essa aqui:


Invento com jeitinho brasileiro vira capa de revista científica

























Vejam só. Essa ideia simples substituiu um aparelho que fazia a mesma coisa mas que custava 25 mil dólares. Sabe quanto gastaram com a ideia acima? 2 dólares. Penso que o que ficou caro aí foi a lata de spray. Se você ainda conseguir, pode tentar ler o artigo aqui.

Digo que o mais revolucionário na ciência são sempre as ideias mais simples.

É isso.





segunda-feira, 14 de maio de 2012

AQUECENDO A TERRA POR MEIO DO PUM

Uberlândia - Ano II - 106

Olá Químicos e Agregados. Reproduzo reportagem da BBC Brasil. Comento ao final.

DA BBC BRASIL
Dinossauros podem ter ajudado a aumentar a temperatura do planeta com sua flatulência, segundo pesquisadores britânicos. Os cientistas calcularam a emissão de gás metano dos saurópodes, incluindo a espécie que era conhecida como Brontossauro. Comparando estas medidas com a emissão de gases das vacas, eles estimam que a população de dinossauros como um todo, até sua extinção, produzia 520 milhões de toneladas de gás anualmente. Eles acreditam que o gás liberado pelos animais pode ter sido um dos principais fatores que causaram o aquecimento da atmosfera há cerca de 150 milhões de anos, durante a Era Mesozóica. David Wilkinson, da Universidade John Moore, em Liverpool, e pesquisadores da Universidade de Londres e da Universidade de Glasgow publicaram seus resultados na publicação científica Current Biology.

MICRÓBIOS RESPONSÁVEIS
Os saurópodes, como os da espécie Apatosaurus louise (que já foi chamada de Brontossauro), incluíam alguns dos maiores animais que já viveram na Terra. Eles eram grandes animais terrestres com pescoços e caudas compridos e cabeças relativamente pequenas e eram herbívoros. Mas para Wilkinson, os grandes dinossauros não são tão interessantes quanto os organismos microscópicos que viviam dentro deles. "A ecologia dos micróbios e seu papel na formação do nosso planeta são um dos meus principais interesses na ciência", disse ele à BBC. "Os dinossauros neste trabalho capturam a imaginação popular, mas na verdade são os micróbios que viviam nos intestinos dos dinossauros que produziam o metano."

Micróbios nos estômagos de espécies ruminantes produzem gás metano enquanto digerem a massa vegetal. O gás é liberado como flatulência. O metano é conhecido como um "gás causador de efeito estufa", que absorve a radiação infravermelha do sol e a aprisiona na atmosfera terrestre, levando a temperaturas mais altas. Estudos anteriores sugerem que a Terra era até 10 graus mais quente na Era Mesozóica.

EMISSÕES DE GÁS
Os pesquisadores utilizaram dados sobre as emissões de gases de bois e vacas, que atualmente contribuem com uma parte significativa dos níveis globais de metano, para estimar como os saurópodes poderiam ter afetado o clima. Os cálculos consideraram a população total estimada de dinossauros no planeta e usaram uma escala que liga a biomassa ao nível de emissão de metano do gado. "As vacas hoje em dia produzem algo como 50 a 100 milhões de toneladas por ano. Nossa melhor estimativa para os saurópodes é de cerca de 520 milhões", disse Wilkinson.

Mas Wilkinson afirma que os dinossauros não eram os únicos produtores de metano durante a Era Mesozóica. "Havia outras fontes de metano na Era Mesozóica, então o nível total do gás era provavelmente muito maior do que agora", disse. As atuais emissões de metano no mundo totalizam cerca de 500 milhões de toneladas anuais, que vêm de uma combinação de fontes naturais como animais selvagens e atividades humanas como a produção de laticínios e carne.

Comentário do Blog:

Pessoal. Perdoem-me pelo linguajar um pouco escatológico, mas eu já andava bastante desconfiado daquelas pesquisas que diziam que o efeito estufa era causado pelo PUM das vaquinhas. Agora vem os caras me dizerem que o aquecimento da Terra pode ter sido causado pelo PUM de dinoussauro?!! É o que sempre digo, quando se faz ciência: uma evidência ou um resultado PODE levar a uma série de inferências, inclusive de que o PUM pode ter lascado a Terra ou ainda estar lascando. Há de se ter critério e bom senso na análise de todos os resultados. PODE até ser o caso das pesquisas acima, mas seria considerar o PUM um agente nocivo ao mundo. Exagero? Bom, já o é para o olfato...


segunda-feira, 23 de abril de 2012

INSETOS ROBÔS

Goiânia - Ano II - 105

Olá Químicos e Agregados.

O Instituto de Química, por meio do LEQUAL, está desenvolvendo alguns tipos se robôs imóveis para ensinar química. O primeiro deles é um robô imóvel tabela periódica. Não. Ainda não demos um nome para ele. 

Quem esteve no espaço das profissões pôde dar uma olhadinha nele e até interagir com o danado.

Mas pelo que vi e li em um artigo no Journal of American Chemical Society, uma das principais revistas científicas na área de química, da ACS (American Chemical Society), a gente ainda está muuuiiito no começo.

Olha só. Os caras, liderados pelo Dr. Evgeny Katz, da Universidade Clarkson, em Nova York conseguiram a proeza de, como direi, "robotizar" um caracol. Como fizeram? Mais ou menos assim: pegaram um caracol vivo e colocaram, entre a concha (casinha, ou sei lá o que seja aquilo) do caracol e sua cabeça, dois eletrodos, revestidos de enzimas. Pois é, nessa área na qual foram colocados os eletrodos de enzimas é uma região com alta densidade de glicose.

Resumindo: as enzimas presentes no eletrodo iniciam algumas reações químicas que produzem um fluxo de elétron que se utilizam do meio presente, no caso, as moléculas de glicose.

A ideia é que essas reações que produzem eletricidade sejam sempre retroalimentadas pela glicose, produzida pelo caracol em uma sistema de abastecimento e gasto de energia.

Pra quê isso tudo? Ora, para, através de um sistema de eletrodos, poder guiar o inseto. Por exemplo, levá-lo para dentro de uma escola esvaziada após uma ameaça de bomba ou ainda, diversas incursões nas quais um robô normal seria difícil de guiar. Interessante lembrar que caracóis e baratas (sim, já fizeram com baratas, o mesmo grupo) podem adentrar facilmente em qualquer ambiente, pequeno ou grande.

E você aí, com medo de uma barata. Sem bem que você pode ter razão, vai que seja uma dessas robóticas, né?

Quer ler o artigo completo? Se der sorte, ainda está disponível aqui:


Um mol de abraços a todos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

EDUCAÇÃO COMPARADA

Goiânia - Ano II - 104

Olá Químicos e Agregados.

O título desse post tem o propósito de ser provocativo mesmo.

Vou fazer uma brincadeira que espero que gostem, para que todos vejam o quanto a sanha avaliadora/meritocrática dos governtantes brasileiros é mais prejudicial do que tudo. Vamos lá:

1) Habitantes
FINLÂNDIA - Cerca de 5 milhões.
GOIÁS - Cerca de 4,5 milhões.

2) Posição no PISA nos últimos 10(!!) anos
FINLÂNDIA - Entre os 2 primeiros.
GOIÁS/BRASIL - Entre os 10 últimos.

3) Salário do Professor
FINLÂNDIA - Cerca de 3100 dólares, em média, início de carreira, 40 horas (12 em sala, em uma escola apenas, dedicação exclusiva, ano de 2011).
GOIÁS -Cerca de 1100 dólares, em média, início de carreira, 40 horas (28 em sala de aula, em sabe-se lá, quantas escolas, ano de 2012).

4) Nível Fundamental
FINLÂNDIA - Sistema de ciclos. Alunos mais fracos são deslocados para o contra turno para terem aulas com outro professor, específico para tal fim. Até que o aluno se recupere e se inclua novamente no ritmo da turma.
GOIÁS - Sistema de ciclos. Bem, melhor não comentar o que todo mundo conhece...

5) Nível Médio
FINLÂNDIA - Acadêmico e vocacional (um tipo de técnico).
GOIÁS - Propedêutico (????).

6) Estrutura Física
FINLÂNDIA - Exposição das arquiteturas de suas escolas em salões de arquitetura de toda a Europa. Espaço limpo, amplo, bonito, florido, etc e tal. Todos se sentem bem DENTRO da escola, em termos de conforto e espaço.
GOIÁS - Exposição da arquitetura de suas escolas em Jornais e televisão como exemplo de descaso. Escolas caindo aos pedaços. Algumas de lata e placa de muro. Quentes, não arejadas, feias e nenhum pouco convidativas. Todos se sentem muito melhor FORA da escola.

7) Licenciaturas
FINLÂNDIA - Um dos cursos mais concorridos, pois todos sabem que a carreira é valorizada, o salário é bom e que a educação é uma prioridade da sociedade e claro, dos governantes.
GOIÁS - Um dos cursos MENOS concorridos, pois todos sabem que a carreira NÃO é valorizada, o salário é ruim, a titularidade é roubada, a educação NÃO é prioridade, os bingos é que são prioridade dos governantes.

8) Testes padrões, avaliações dos professores pelos alunos, meritocracia, avaliação por produção, avaliação, avaliação, avaliação, produção, produção, avaliação do professor pelo resultado dos testes dos estudantes...
FINLÂNDIA - NÃO HÁ, e caso houvesse, "os professores abandonariam as escolas até as autoridades abandonarem essas ideias malucas..."(Pasi Sahlberg, pesquisador finlandês, ex-professor de ciências).
GOIÁS -  Eheheheheheheheheheheheheh.

9) Imprensa
FINLÂNDIA - Defende o professor, pois sabe sua importância na sociedade e na própria imprensa. É livre, inclusive pode atacar o governo.
GOIÁS - ATACA!!! o professor, culpando-o das mazelas da sociedade, chamando-o de xiita, baderneiro, arruaceiro e defende o governo (???). Inclusive, parte de sua receita é oriunda do, bem, ééé, welll, do governo.

Há mais comparativos, muito mais. Mas é covardia com o estado que me acolheu.

E agora? Senhor secretário. Senhor governador. Ficou claro ou querem que desenhe?

Não. Não sou eu que falo isso tudo aí de cima não. É a literatura internacional, que parece não ser lida pelos nossos governantes que estão atrelados a uma política neoliberal ligada a distribuição de receitas no Banco Mundial. A ideia de homogeinização mundial do ensino e aprendizagem.

Bastam leitura e VONTADE POLÍTICA.

Convenhamos. Nossos governantes não têm nenhuma das duas.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

SOBRE DIREITO DE GREVE

São Carlos - SP - Ano II - 103

Olá Químicos e Agregados.

Faço uma pergunta para todos. O que é uma greve? 

Simples: os trabalhadores param suas atividades, de forma voluntária e COLETIVA, esgotadas todas as formas de negociação. E sou testemunha de como os professores tentaram negociar com o governo, mostrando a ele o absurdo de uma lei que achata salários. 

Vi os professores pressionando os seus "representantes eleitos pelo voto(?)" durante manifestação na assembleia e principalmente, vi a proposição de uma lei, descida goela abaixo pelo governo do estado, SEM ouvir a classe interessada, destruindo um plano de carreira, em favor de uma meritocracia que não têm mérito, acirra a competitividade na escola e é mascarada como aumento. Eu não falo isso porque sou ligado a algum partido. Eu sei ler. Li o projeto. Só isso. Eu sou ligado aos professores, porque sou um professor. Eu formo professores. Eu não desisto deles. O estado, sim.

Isso não seria um movito para tais paralizações, já que se esgotaram as negociações?

Quando todas as tentativas são utilizadas e o trabalhador não é ouvido em suas reivindicações ou ele é enganado de forma descarada, ele tem sim direito a greve. Nossa constituição garante isso:

"Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender."

O interesse aqui é claro. Devolvam o plano de carreira, não achate o salário e pare de nos enganar com a "enganocracia". Mas temos os parágrafos desse artigo:
 
"§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade."

A educação foi definida por lei como atividade essencial. Uma atividade inadiável para a comunidade. Assim, a greve dos professores do estado de Goiás foi considerada ilegal (????).

Ou seja. Fica quieto, ganhando pouco e não reclame, porque a atividade essencial não pode parar. Notaram como a lógica é invertida? Se é essencial, não deveria ser valorizada?

Ilegal, meus amigos, deveria ser um secretário economista que acha que entende de educação ser secretário da educação.  Ilegal, deveria ser um livro sobre educação que não cita ninguém, ser usado como pseudo referência. Ilegal, deveria ser a fome. Ilegal, deveria ser o professor ter que pegar 4 ônibus por dia para ir trabalhar. Ilegal, deveria ser o transporte público que esse professor pega para ir trabalhar. Ilegal, deveria ser um profissional com título de mestrado ganhar 2200 reais por mês, menos que: policial, bombeiro, cabelereiro, vendedor de roupa e mais umas 200 profissões diferenciadas. Entendam, não estou desrespeitando essas profissões. Elas não pagam de fato muito bem, é o professor que ganha muito mal. É simples. E lembrem-se, estou me referindo a um profissional com MESTRADO, altamente especializado, no qual foram investidos mais de 300 mil reais em 2 anos.

A retórica de que o professor parado prejudica o aluno não me convence. Se as nossas autoridades não querem ver a população prejudicada, que tenha coragem política para fazer uma revolução de verdade na educação.

JÁ DISSE ZILHÕES DE VEZES, EM SALA DE AULA, EM ARTIGOS. A SOLUÇÃO ESTÁ NA VALORIZAÇÃO DA PROFISSÃO. NA VONTADE POLÍTICA. Enquanto estiver assim, cada vez menos jovens procurarão a docência.

Essa revolução de mentirinha, faz-nos lembrar que isso na verdade é um golpe.

Golpe. Foi isso que o professor tomou na boca de seu estômago ao ter seu direito de greve como algo ilegal.

Foi dito a ele na forma da lei:"Fique quieto, faça seu trabalho. Respeite o cidadão. Ganhe pouco. Contente-se. Tá achando ruim? Caia fora. Imbecil."

É fácil enxergar só um lado da moeda. E a moeda do professor, para esses caras, é um centavinho muito atarracado.

Eles NÃO têm o nosso respeito. Não devem tê-lo nunca. Não votemos neles.

É isso. Com todo respeito, "meritíssimo".

Post Scriptum: "NÃO COMPRE O DIÁRIO DA MANHÃ."